quarta-feira, fevereiro 22, 2006

Não andamos todos anestesiados?

Costuma-se dizer que quando alguém sofre um acontecimento traumático, passa muitas vezes por uma fase - já depois da fase inicial de choque - em que a pessoa não está na realidade, ou seja, vive as coisas como se não fosse com ela, um mecanismo de defesa que faz com que a pessoa não sinta a dimensão do problema e o impacto que isso causa ou causará na sua vida, está como que anestesiada... muitos casos de depressão ocorrem muito tempo depois da pessoa ter sofrido o tal acontecimento. Não, isto não é uma aula de psicopatologia ou coisa parecida e não, não estou a dizer que estou em depressão, ou que vou entrar numa em breve... não se assustem quando me ouvirem dizer “vou ali cortar os pulsos e já venho” - gosto demasiado de viver - se bem que ultimamente não sinto que esteja a viver mas a sobreviver como posso e como consigo. Hoje, então, foi o dia em que acordei do meu estado de anestesia... hoje realmente senti na pele que a minha vida está na merda, que me sinto cansada, que me dói a alma, o coração e os olhos e a cabeça de tanto chorar... esta manhã adormeci porque ontem não conseguia adormecer a pensar em todo o tipo de merdas que acontecem na minha vida (a pensar no “vocês sabem quem” e no quanto fui feliz e no quão ingénua fui - estúpida, burra mesmo - ao nem se quer pôr a hipótese de toda aquela felicidade acabar assim do nada e da maneira insossa que foi), depois tomei banho de água fria porque a água não tinha pressão suficiente para acender o esquentador (congelei os miolos que me restavam), vesti-me à pressa (odeio fazer isso porque fico o resto do dia a sentir-me mal com a roupa que tenho), fui até à bomba de gasolina (mau presságio do dia quando tenho que pôr gasolina logo de manhã e não há mais ninguém na bomba – significa muitas vezes que é a gasolineira mais cara!), fui até à faculdade onde (pensei eu) teria colegas à espera para estudarmos (uma vez que hoje tive exame de uma cadeira que tenho em atraso) e com a pressa, a estacionar dei um toquezinho num muro minúsculo que tinha a trás – risquei o carro – e afinal ainda não estava lá ninguém, bebi o meu café, fumei o meu cigarro e eles foram aparecendo (cada um com mais dúvidas que o outro), almocei no refeitório da faculdade e para o menu tínhamos “tortilha espanhola encharcada em óleo com ovos com salmonelas”, “lulas estufadas com arroz tipo argamassa”, “croquetes de carne não sei bem de quê com batatas fritas cruas e frias tudo com muito óleo” e mais qualquer petisco que nem me lembro o quê! Seguiu-se o merecido café e cigarro e mais uma prova de que não valia a pena bater mais no ceguinho a estudar para o exame... fomos para o exame (para o qual tinha feito umas belas cábulas) e fiquei na 1ª fila do anfiteatro, mesmo em frente ao Exmº Sr. Dr. Prof., concluindo, fiz o exame todo segundo a minha fértil imaginação (acho que ainda não é desta que passo à merda de cadeira!), saí do exame e daquela maldita faculdade e eis que a minha querida mãe me liga a dizer que um camião perdeu a carga em Pina Manique (final do IC19 início da 2ª circular) e imaginam o que era a carga? Barcos!!! Ninguém anda por aí a perder barcos!!! Estão a imaginar a 2ªcircular invadida de barcos??? (alguém me diga que a minha mãe tinha informações erradas por favor, ou o mundo está mesmo louco!), só sei que realmente o trânsito estava parado desde a Buraca (essa bela localidade!) o que vale é que o meu queridíssimo “ex” é da zona e eu já conhecia outros caminhos para fugir à confusão porque muitas vezes fugi a outras confusões com ele ao lado! Benfica, Carnide, Telheiras, Eixo Norte-Sul, Cidade Universitária, Av. Brasil, Olivais onde finalmente consegui descansar nesse belo (ou não) espaço que é o café das “Arcadas” onde me aguardavam as minhas queridas amigas do coração.
Mas o pior é a noite... é triste... é solitária... é dolorosa... e a Internet pode ser tão nossa inimiga, quando as pessoas com quem queremos falar não estão, ou simplesmente não nos ligam, ou se ligam parece que estão a despachar... ou então “dizem” coisas que são as últimas coisas que queremos “ouvir”!Hoje é o dia em que acordei da anestesia, percebi que nunca mais te vou ter, percebi que não te percebo, percebi que tu não me queres explicar, percebi que não sei o que sentes ou pensas ou queres, percebi que não te quero mesmo perder, percebi que és a coisa mais linda que me aconteceu, percebi que me tiraste a vontade de sorrir, percebi que não me amas, percebi que não sei se alguma vez me amaste, percebi que vou ser infeliz, percebi que não sou nada, ninguém, não tenho nenhum valor, não tenho nada de bom em mim, percebi que cheguei ao meu limite e que não sei mais o que fazer, percebi que não consigo aguentar esta espera sem te dizer nada, percebi que sou fraca, burra, feia, má, chata, uma idiota... percebi que desde dia 7 de Fevereiro me tenho andado a enganar, tenho estado adormecida, tenho pensado que isto é um pesadelo e que vou acordar, tenho estado anestesiada com a dor que sinto, com a raiva, com o ódio que tenho de mim... Hoje foi o dia em que acordei da anestesia...

8 comentários:

Tita disse...

muitas vezes a página a seguir vem em branco... e ficamos confusos...

espirito_Ninja disse...

faz das fraquezas as tuas forças...e como diria o mitico "ti alfredo", o sofrimento é que faz de nós Homens...

beijinhos linda

Tita disse...

mas sabes que escrever é difícil... especialmente se algumas coisas não nos sairem da cabeça, e escrever a vida é muito arriscado... e muito decisivo, é um livro que não se pode apagar nem uma vírgula!

Tita disse...

mas eu já tinha escrito o livro todo na minha cabeça... agora rasgaram-me as páginas mais importantes... ta a ser dificil juntar os pedaços... conto c vcs*

Guapita disse...

Não rasgaram as páginas mais importantes...e nem precisas de colra esses pedaços. como o Nuno diz há coisas que já nao dao para ser coladas e o importante é o que vem daqui para a frente...é o que vais escrever agora e nao do que escreveste no passado...tudo o que escrevemos anteriormente só nos serve para ajudar e reescrever o nosso livro...mas como todos sabemos bem quando escrevemos um texto ou lemos um livro vamos tendo diferentes interpretações dele consoante a fase da nossa vida em que estamos....nada é definitivo....nenhuma página é mais importante que outra....porque os livros sao fietos de muitas paginas e sem elas todas juntas nunca teriamos uma historia mas sim um aglomerado de folhas sem sentido....nada acontece ao acaso...segue para a proxima página e olha para as paginas anteriores só para te recordares como começou a tua historia, mas nao tentes voltar ao inicio...tenda escrever cada pagina do teu livro ate ao dia em que ele estará acabado e terá um bonito fim...
NÓS ESTAMOS CÁ*************

Tita disse...

mas e se eu não kizer virar a página... eu não kero mudar d página... eu kero fikar aki... nas páginas em k fui feliz... é tão difícil, nunca m senti assim, nunca pensei que doesse tanto...

Guapita disse...

nao sejas tonta miuda...claro que é dificil mas é claro que queres mudar a página e sabes porquê? porque foste tao feliz mas ja nao es feliz nessa pagina e por isso vais ser muito mais feliz na proxima que escreveres...todos já passamos por coisas dificeis mas tu es forte e vais ser muito mais feliz se rasgares essa pagina que ja ta velha e suja e mal se notam as letras e se escreveres outra de novo...facil nao é mas é compensador e nos estamos ca para te ajudar***

Tita disse...

Não percebo ingles! tou a gozar percebo mt bem... mas dona andreia vc n tem voto na materia pk nc teve um prob deste genero e alem disso tem andado desaparecida e n sabe da missa a metade!!! lololol
toma e embrulha k é pa n seres tão mázinha pa mim! tou fragil (sinto-m fragil...blablabla), tou carente! bah!